O contexto deste diálogo logo abaixo é a continuação das discussões sobre metodologia de pesquisa dentro dos encontros de pesquisadores, orientadores e orientandos do Laboratório Multimeios, coordenado pelo Prof. Herminio Borges Neto. Estou socializando pelo fato de validar como foi e é importante a participação do Prof. Roberto Aparici nesse meu processo de aprendizagem em pesquisa. Outra professora muito importante em minha carreira de pesquisadora é a Profª Eliane Dayse Pontes Furtado. Estas três pessoas, Roberto, HBN e Eliane(não necessariamente nessa mesma ordem) influenciam minha ideologia e isso ficará claro nas linhas que se seguem.
Cada pesquisa necessita uma pesquisa apropriada. Nós temos que estudar e conhecer as possibilidades que tem cada uma das metodologias de acordo ao tema de nosso estudo.
- Conhecendo as diversas formas de pesquisa podemos definir nosso caminho metodológico e entender o que nos leva a adotar determinado tipo de pesquisa em detrimento de outro. Nosso tema de estudo, em si, pode se desvelar de diferentes formas, dependendo dos critérios que guiarão nosso olhar de pesquisad@.
Todas as metodologias de pesquisa fazem uma representação da realidade, mas todas são subjetivas. Escolher uma metodologia ou outra não é um fato neutro. Tem uma dimensão ideológica que muitas vezes é esquecida pel@s pesquisador@s.
- Mesmo as metodologias de pesquisa ditas quantitativas, objetivas e positivistas podem ser também subjetivas?Gostaria de ter essa questão elucidada. Uma análise inicial me leva a crer que os objetivos de uma pesquisa revelam em seus verbos as correntes ideológicas que guiam @ pesquisand@. Procedimentos como analisar causa e efeito são positivistas e podem, por sua estrutura de conhecimento, perder a riqueza de detalhes que um dado objeto pode demonstrar.
Até a metade do século passado a maioria d@s pesquisador@s pensavam que só as metodologias positivistas ou quantitativas eram adequadas para que os dados pudessem ser comprováveis e demonstráveis “matematicamente”.
- A necessidade de padronizar resultados, de representar sujeitos de pesquisa como amostragem, a relação pesquisador-sujeito comprometida por conta de que ambos são seres humanos subjetivos. Um texto muito bom para refletir sobre estas questões é o da Profª. Rosalina da Silva, no qual eles tratam da falsa dicotomia entre qualitativo e quantitativo[1]. Neste trabalham eles levantam a tese de que as duas formas de pesquisa se complementas e que há um falso diferencial entre as duas. Elas se complementas e se demonstram mais úteis em determinadas pesquisas.
As metodologias qualitativas que se devolveram no século passado colocam num conflito as metodologias baseadas em paradigmas “aparentemente” objetivos. Agora mesmo, as metodologias qualitativas ainda não são aceitas pela comunidade científica e de pesquisa, sob a suspeita de “nao serem científicas”. O mesmo que aconteceu no inicio do desenvolvimento das metodologias qualitativas está acontecendo com as novas metodologias de pesquisa como a etnografia virtual.
- Quem diz o que é científico ou não? Se é a própria academia então nos cabe o debate para ampliar este conhecimento e continuar o desenvolvimentos destas novas práticas de pesquisa se estiverem adequadas para desvelar nossos objetos de pesquisa.
Não existe uma pesquisa objetiva, seja no campo das ciências físicas, químicas, sociais, etc. Toda pesquisa envolve a história do pesquisador. E uma escolha não é só um processo científico, é também um processo que envolve a história do pesquisador e sua relação com o tema de estudo, sua formação prévia, seu olhar sobre o mundo.
- O que chama de pesquisa objetiva? Compreendo também que um objeto de estudo não surge do nada, envolve sim histórias de vida e uma curiosidade particular para um dado objeto em detrimento de tantos outros ao redor do pesquisador. A sensibilidade para compreender um objeto e situá-lo na relação de um quadro teórico, construir uma metodologia adequada para desenvolver a pesquisa e compreender seu objeto, são práticas necessárias ao pesquisador, não importando a área na qual ele atue. Ser sensível a seu objeto e o contexto ao qual ele pertence é uma árdua tarefa de pesquisador que, em debate com outros colegas pesquisadores, pode se ampliar em atividades de apresentação e crítica aos diferentes modos de fazer pesquisa.
Uma pesquisa não oferece só dados. Oferece uma interpretação do mundo e um olhar ideologóco d@ propri@ pesquisador/a.
- Fazer pesquisa deixando de lado as questões com as quais o pesquisador está envolvido não é concebível em minha visão. Mesmo em casos onde os pesquisadores recebem de seus orientadores como desenvolver uma dada pesquisa, ele imprime em sua experiência sua história de vida, seja de aceitação, seja de negação, seja de intimidade com o tema ou não. A ideologia do pesquisador fica expressa em coisas simples como os verbos que ele escolhe para conjugar em seus objetivos. Implantar, testar, averiguar são exemplos seguem uma vertente, em detrimento de que, observar, conhecer, olhar, vão por outra. Não que esses verbos se limitem às ocultas formas de fazer pesquisa não ditas neste parágrafo, mas é a título de esclarecimento de que não há como ocultar uma ideologia em uma pesquisa. Nós nos entregamos em pequenos detalhes.
Cada um de nós, não só escreve sobre um tema ou pesquisa um tema, o tema que nos desenvolvemos fala de nós, de nosso olhar e, de maneira velada, de nossa ideologia.
- Isso em uma pós-graduação aberta pois, há formas coordenadas de fazer pesquisa na academia onde a ideologia e a história de vida de cada um é o que menos interessa em um processo de pesquisa. Pensemos na situação onde professores ou pesquisadores mais experientes “pegam” os pesquisadores iniciantes pelo braço nos corredores da faculdade ou, em um clima mais amistoso, os convencem a desenvolver uma pesquisa, não para o desenvolvimento do pesquisador iniciante enquanto ser crítico e autônomo, mas para trazer lenha nova para a fogueira das vaidades do pesquisador mais iniciado a mais tempo. O maniqueísmo da pessoa mais vivida em pesquisa deve ser observada e questionada em alguns casos, para que não haja manipulação e exploração do trabalho cientifico dos iniciantes, este tipo de comportamento é importante para ser combatido em forma da livre expressão de pensamento e rompimento destas relações de opressor e oprimido entre orientadores e orientandos na academia.
[1] Da Silva, Rosalina Carvalho. A falsa dicotomia qualitativo -quantitativo: paradigmas que informam nossas práticas de pesquisas. In Romanelli , G.; Biasoli-Alves, Z.M.M. (1998)Diálogos Metodológicos sobre Prática de Pesquisa- Programa de Pós-Graduação em Psicologia da FFCLRP(USP- CAPES) R. Preto:Editora Legis-Summa). Fonte: www.usp.br/nepaids/Dicotomia.pdf, último acesso em 04.06.2007 às 23h00min.














